Tudoem Mogi das Cruzes
Tudoem Mogi das Cruzes Tudoem Mogi das Cruzes Tudoem Mogi das Cruzes Tudoem Mogi das Cruzes Tudoem Mogi das Cruzes Tudoem Mogi das Cruzes Tudoem Mogi das Cruzes Tudoem Mogi das Cruzes

Close
Fechar
Conheça as outras cidades onde o Tudoem esta presente
Tudoem Mogi das Cruzes

República dos apartamentos particulares

Fonte:Pedro Cardoso da Costa
Tudoem Mogi das Cruzes
Tudoem Mogi das Cruzes
Autor

Tudoem

Pedro Cardoso

Bacharel em direito

pedro.costacardoso@gmail.com


República dos apartamentos particulares

De início, é importante tentar desfazer uma tentativa de alguns de associar a ideia de que, quem se manifestou pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff estaria apoiando o governo de seu vice. É a Constituição federal que determina assim. Ponto. Daí por diante, existe muito disfarce no discurso e semelhança de condutas.

Começaram as coincidências com a demissão de ministros. A ex-presidenta demitiu seis quase numa tacada. Roubou a vassoura do Jânio Quadros. Caracterizou-se pela gestão mais faxineira como nunca antes... Daí para frente todos já conhecem o resultado. Michel Temer começou avassalador na depuração da ética. Aí, no meio do caminho existia um prédio. Hipotético, pois ainda não começou, mas já pode lhe custar o cargo.

A tudo o que aconteceu já estamos acostumados. Não é novidade para ninguém um Presidente da República do Brasil dar prioridade absoluta a um prédio, um sítio de um subordinado, ou até a um emprego para o namorado de um parente.

Defender interesses particulares de amigos com o uso de posição de destaque faz parte da grandeza dos nossos líderes. Mas o cinismo e a desfaçatez das explicações posteriores causam dor de barriga. A leniência das instituições que têm o dever de apurar os fatos corrobora para uma decepção profunda e muita tristeza.

E o cinismo no episódio presidencial fica caracterizado pelas tentativas de o presidente tentar transferir a responsabilidade à vítima. Disse Sua Excelência que gravar um Presidente da República seria mesmo indigno. Para ele, digno é um Presidente da República ser gravado tentando usar do seu cargo para forçar um subalterno à realização de um ato ilegal. É mesmo surreal.

Antes, os gravados davam definição ou negavam que tinham falado sobre o prédio com o ministro da Cultura. Isso também já virou retórica. “Ah, falei com ele naquele dia, naquele local, no mesmo horário; mas nunca sobre esse assunto”, costumam repetir como papagaios.

Quando surgiram os boatos sobre as possíveis gravações, mudaram de tom de voz e desconversaram. Sugerimos o envio à Advocacia-Geral da União.  Até então não se sabia que as relações de amizade entre membros do governo compunham interesse da União.

Para demonstrar o tamanho de sua dignidade e fechar com chave de ouro, o Presidente da República reuniu-se com os presidentes do Senado e da Câmara para enganarem a população afirmando que a anistia ao “caixa dois” não passaria. Não passou mesmo, mas não disseram uma palavra sobre a mutilação total das dez propostas do Ministério Público, ocorrida na madrugada aproveitando-se da comoção gerada pela tragédia com o time da Chapecoense.

Talvez para o Presidente da República tudo isso é muito digno. Já se fosse gravado...

Pedro Cardoso da Costa – Interlagos/SP

   Bacharel em direito

Comentários

Voltar ao Topo